Castilho está na vanguarda regional de combate ao suicídio

Por Marco Apolinário

 

CASTILHO – “A campanha de Valorização da Vida, ou ‘Setembro Amarelo’ – não é um tema passageiro que os Governos municipais estão trabalhando de forma ‘tímida’. Não é uma moda de 30 dias que depois será esquecida, como sugeriu recentemente uma reportagem divulgada em site de Andradina. Não posso falar por todas as cidades de nossa região, mas em Castilho, especificamente, temos sim uma ação permanente sendo desenvolvida por profissionais altamente capacitados”. As palavras acima são da Secretária de Saúde castilhense, Janini Nascimento, que considerou “irresponsável” o texto jornalístico publicado no último dia 31 por um site de notícias regional.

A secretária diz que desconhece a fonte dos dados mencionados pelo autor da matéria, que classifica Castilho como ‘uma das cidades com maiores taxas de suicídios na região’. “Mal informado, o jornalista afirma que a Prefeitura ‘preferiu enfrentar o problema com shows, teatro e palestras’. O texto em si, parece zombar das estratégias adotadas pelo Governo de Castilho neste mês de Setembro para divulgar uma campanha que aos poucos se espalha por todo o território nacional. De forma irresponsável, sugere aos leitores que limitamos nosso plano de ação a este curto período de tempo com atividades ‘tímidas’ enquanto registramos ‘altos índices do problema’, e isso não é verdade”, enfatiza a secretária.

Janini apresentou dados oficiais fornecidos pela Polícia Militar, segundo os quais, desde 2013 foram registrados 03 casos confirmados de suicídio. Em contrapartida, as tentativas de tirar a própria vida utilizando métodos diversos neste mesmo período foi de 26 casos. Felizmente, estes números estão longe de incluir Castilho entre as ‘cidades com maiores taxas de suicídio da região’. Mesmo assim, o assunto é levado à sério pela Administração. Uma equipe multidisciplinar que reúne profissionais de Saúde (entre eles psicólogos e enfermeira), Educadores das escolas municipais e estaduais, e técnicos da Secretaria de Assistência Social, está realizando um trabalho que visa identificar precocemente as pessoas em estado de risco. Quando estas são identificadas, inicia-se um trabalho de acompanhamento em várias frentes, buscando reverter o quadro que geralmente está associado à depressão e problemas familiares.

Segundo Janini, os adolescentes compõem o maior grupo de risco. “Este ano, por exemplo, não há nenhum registro confirmado de suicídio em Castilho, porém, as três tentativas registradas foram cometidas justamente por adolescentes”, afirma a secretária. Mas assim como a Organização Mundial de Saúde não considera o registro brasileiro 100% confiável, Janini admite que os dados sobre suicídio no município podem não refletir a realidade. “Existem casos onde a família acaba ‘acobertando’ a tentativa. Isso ocorre por vários motivos, entre os quais estão a vergonha e a necessidade de proteger a imagem do ente querido”, explica Janini.

 

DINÂMICA – Neste cenário, a equipe multidisciplinar criada pela Administração tem feito enorme diferença. “Desde que foi criado, professores estão mais atentos a alguns sinais comportamentais dentro das salas de aula, assim como assistentes sociais e profissionais de Saúde fazem o mesmo ao receber a população que procura seus muitos serviços. O acompanhamento é realizado com todo o núcleo, que envolve principalmente a família”.

A dinâmica deste processo é simples e eficiente. Quando a tentativa de suicídio ocorre, o hospital notifica a PM e a Secretaria de Saúde que inicia o tratamento psicológico e psiquiátrico conforme o caso. “Independente disso, o núcleo familiar passa a ser acompanhado pelos profissionais do CREAS e do CRAS. Se a fonte do problema for psicossocial, o atendimento ocorre pela Saúde. Se for didático, a equipe escolar é orientada. Em todos os casos, o acompanhamento é contínuo”.

 

MOBILIZAÇÃO – O trabalho preventivo realizado pela Administração também envolve as comunidades eclesiásticas. “A rede já entrou em contato com o padre, pastores e outros líderes religiosos para que juntos, possam desenvolver atividades para alcançar estes jovens. A Igreja Adventista, por exemplo, tem utilizado seus grupos de aventureiros para trabalhar o assunto com crianças e adolescentes, além de desenvolver outras atividades de conscientização, como passeatas. As demais igrejas estão nos auxiliando no apoio às famílias pois ações sociais, psiquiátricas e psicológicas nem sempre são suficientes. Também é imprescindível trabalhar a espiritualidade destas pessoas. Nossos líderes religiosos entendem esta necessidade e estão contribuindo ativamente neste processo”, explica Janini sobre o plano de ação existente, que inclui ainda o voluntariado sempre ativo do Rotary, Rotaract e Interact Club de Castilho.

Apesar de raros, existem também os casos em que a própria pessoa, familiares ou amigos próximos que identificam algum tipo de risco, acabam procurando ajuda. “Isso é fundamental. Se nos preocupamos com a pessoa, seja ela um membro da família, vizinho ou amigo, precisamos estar atentos a quaisquer sinais de mudança comportamental e estimular a pessoa a procurar ajuda profissional. Também é importante ouvir estas pessoas. Por isso, a campanha pela Valorização da Vida está focada em ‘ouvir’ o que a pessoa sente, pois o silêncio pode levar ao suicídio”, finaliza Janini.

 

FALE! – A campanha do Setembro Amarelo também está ajudando a divulgar massivamente os serviços de apoio àqueles que precisam falar sobre seus problemas pessoais. A partir de qualquer telefone (inclusive orelhões) a pessoa pode ligar para o número 188 e falar sobre seu problema. Outra alternativa é acessar o site www.cvv.org.br (Centro de Valorização da Vida) e conversar online com os atendentes. Em ambos casos, o diálogo pode ser iniciado a qualquer hora do dia ou da noite, e em qualquer dia da semana, independente de feriado. Também não é preciso se identificar e não existe limite de tempo para a conversa.